domingo, 25 de agosto de 2013

                     CICONIA  ET CATUS 

                                                                                       FABULA  ESOPI 

Ciconia anguillam  sibi et pullis suis ad vescendum portavit. Quod videns catus, qui libenter  comedit pisces, licet non velit humecatare pedes, ait, "O avis pulcherrima, rostrum habes rubeum et plumas albissimas;  numquid  rostrum tuum ita rubeum est interius ut exterius?" Ciconia noluit aliquid respondere nec rostrum aperire, qui noluit anguillam dimittere. Iratus murilegus vituperabat ciconiam, "Vel est surda vel es muda. Non poteris respondere, misserrima?  Nonne quandoque comedis serpentes quae sunt animalia venenosa et immundissima?"  Quolibet animal mundum munda  diligit, et tu, turpia et imunda.  Igitur es inter ceteras aves imundissima."  Ciconia, nihil respondens, cum anguilla tenuit viam suam. 

            A CEGONHA E O GATO

                                                Fábula de Esopo

Tradução:  Paulo Roberto Mattos Luiz 


A cegonha levava uma enguia para ela e seus filhotes comerem.  O gato que prazeirosamente comia peixes, e como não queria molhar os pés, vendo a cegonha disse, ____Que ave lindíssima, tens o bico vermelho e as penas branquíssimas, por acaso, o interior do teu bico é igual ao exterior?  A cegonha não quis responder nada, e nem abrir o bico, já que não queria soltar a enguia. Furioso, o gato repreendeu a cegonha. Ou és surda, ou és muda. Não és capaz de responder, infeliz?  Nem mesmo quando comes serpentes, que são os animais mais venenosos e mais imundos?  É claro que um animal  asseado honra o mundo, mas  tu és feia e imunda. Logo, és entre várias aves a mais imunda de todas. A cegonha não respondendo nada, com a enguia seguia o seu caminho. 

Da mesma forma, o homem justo não se deixa levar nem por elogios e nem se deixa abater pelo menosprezo.

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